Crítica: O Hobbit – Uma Jornada Inesperada


Há 10 anos atrás, Peter Jackson fez o que muitos consideravam impossível, trazer a obra de Tolkien a vida no cinema à altura de tudo que a literatura simbolizava. E hoje chegamos na situação inversa, qual seria a visão de um cineasta tão magnifico sobre uma obra apaixonante que não tem o mínimo de complexidade ao ser comparada com a produção anterior? E é nisso que Uma Jornada Inesperada se prende, é o que segura todas as pontas de um universo tão consolidado, o carinho de Jackson pela obra e o esforço de criar a melhor adaptação possível.

Tudo que vimos em Senhor dos Anéis em relação a quão real o universo pode chegar aqui é repetido pela equipe. O longa consegue captar toda a essência que o livro têm e expressa-lo na tela. Tudo é tão magnífico que realmente impressiona e a todos os familiarizados o livro O Hobbit surpreende o fato de que o filme consegue ser um prelúdio mais completo.

aeLKztQXPkSccTySEmyCqBvZfsO

Quando anunciado que a produção passaria de 2 filmes para se tornar um trilogia muitos se assustaram e consideraram que o motivo real era o dinheiro. Talvez possa até ser verdade, e esse talvez seja o maior defeito do filme. Próximo ao terceiro ato sentimos um tipo de “freio”, mas nada que realmente prejudique o longa, somente a noção de que 20 minutos ali poderiam ser retirados sem o menor problema, principalmente a sequência dos gigantes. Mas até nesse ponto Peter Jackson é rigoroso e manteve um trecho apenas por estar no livro.

Mas o fato da divisão ter me convencido de além de ser possível, ser necessária foi a inteligencia de toda a produção em se esforçar para trazer a trama de O Hobbit próxima a Senhor dos Anéis. Em 169 minutos chegamos apenas ao 6º capítulo do livro, e nada de cenas “esticadas”, aqui o que acontece são sequências inéditas, como reunião do conselho branco, introdução sobre o reinado dos anões, construção de um novo vilão e até mesmo a aparição de Radagast. Tudo isso se encaixando perfeitamente no longa e conseguindo dar o tom de tensão que a primeira trilogia tinha.

E o tom é o principal acerto de Jackson. Logo no início do filme, ao sermos novamente convidados à Terra Média a sensação de nostalgia se mistura com a novidade. Tudo aquilo mesmo se passando em um lugar conhecido se sustenta sozinho. Aqui somos apresentados a O Hobbit e todo o seu tom infantil sem medo de nenhum dos roteiristas, até mesmo a canção “That’s What’s Bilbo Baggins Hates” está presente. Até mesmo Radagast consegue encontrar seu lugar com uma encarnação totalmente caricata e vivenciando uma das cenas mais engraçadas do filme ao lado de Gandalf.

Falando em Gandalf, Ian Mckellen está EXCELENTE em seu retorno como o Cinzento. Mesmo com todas as suas frustrações no set, seu talento quebra barreiras e nada consegue ser percebido ao público. Realmente temos a sensação que ele gravou todas as cenas ao lado dos anões. E sobre os anões também só sobram elogios, principalmente com figurinos que eliminam o conceito das cores presente no livro e criam reais personalidades para cada um deles. Destaque da comitiva fica com Richard Armitage, com um Thorin que realmente impõe o respeito merecido. E claro que Martin Freeman estaria ótimo como Bilbo, o ator realmente parece ter aproveitado cada momento ali e toda a construção e evolução do pequeno Bolseiro conquista a toda platéia.

bilbo

E não poderia terminar essa gigantesca crítica sem mencionar o ponto alto do filme, que até me espantou por não ser uma batalha. Toda a sequência das charadas no escuro (“Riddles In The Dark” soam muito melhor) foi construída com um cuidado tão gigantesco que quase se torna uma obra de arte. Andrew Serkis mais uma vez encarna um Gollum tão real que impressiona, e todo o carisma do pobre Sméagol ganha mais peso com toda a evolução gráfica da Weta. Os efeitos especiais aplicados no personagem são tão perfeitos que a criatura realmente parece ter vida. O mesmo pode ser dito do príncipe Orc e todos os Wargs.

Esse foi com toda a certeza o filme do ano. Uma obra prima que traz toda visão e carinho de Jackson ao universo de Tolkien e prova a cada momento estar na função mais do que merecida. Ótimas atuações, uma dinâmica empolgante e momentos inesquecíveis tornam Uma Jornada Inesperada uma das melhores introduções a uma trilogia já apresentadas no cinema. Nunca foi tão bom retornar a Terra Média.

Obs: Não posso esquecer de mencionar Guillermo Del Toro, que por mais que tenha abandonado a produção teve uma enorme influência no conceito do roteiro e com certeza tem muitas de suas ideias ainda consolidadas no longa.

5 DONUTS                                       Execelente

PS: Mais uma vez o Brasil falha em traduções. Toda a sequência de Bilbo e Sméagol tem uma das piores traduções que já vi com legendas.

5 comentários em “Crítica: O Hobbit – Uma Jornada Inesperada

Comentar...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s