Crítica: Sem Escalas

Jaume Collet-Serra é um diretor que pode não ter a grife de Christopher Nolan ou o talento natural de Wes Craven, mas se esforça para atingir ou ao menos homenagear, algumas de suas maiores referências em se tratando de suspenses. Se Collet-Serra não é brilhante, “Sem Escalas” reforça o progresso e evidente evolução de um diretor que absorve muito bem aspectos de outros diretores, e os insere em suas obras com um “que” de originalidade.

A velha e batida história de um agente secreto (poderia ser policia, militar, super herói, herói renegado) que quer salvar a sua vida e de todos os passageiros à bordo de um avião sequestrado por um vilão desconhecido e com motivações obscuras é novamente filmada em pleno 2014 sem colocar nada de novo. Cabe então ao agente aéreo Bill (Liam Nesson muito bem), provar que as mensagens de morte que começam a pipocar em seu celular são uma ameaça real desse vilão. Porém quanto mais ele luta para descobrir a identidade do assassino mais ele se aprofunda no jogo psicológico do mesmo.

Filmada inteiramente dentro do avião, Collet-Serra prefere deixar de lado os aspectos mais fantasiosos desse gênero para trabalhar seus personagens e personalidades. Assim, a cada 20 minutos não só uma pessoa é morta, mas também um personagem novo adentra ao círculo de suspeitos. Essa saída além de dar mais fluidez a trama, proporcionando à toda hora uma novidade e a sensação de progresso, é uma clara a proposta de agregar elementos e informações para enganar o público.

É dessa forma que temos a reinvenção de um gênero que é hoje, considerado ultrapassado e fadado ao home video. Claro que todo o sucesso da trama não passa exclusivamente e unicamente pela mão de Serra. John W. Richardson e Chris Roach, estreantes como roteiristas, preferem explorar a dinâmica entre os personagens em relação a ação em si. É bem verdade que existem alguns absurdos e pequenos furos, boa parte alocada na parte final do filme (mas nada que estrague a experiência do filme).

Tanto Liam Nesson, quanto Collet-Serra, prosperam em um terreno no qual até então parecia não existir nada para retirar. A segunda parceria entre diretor e ator é na verdade uma extensão do mise en cine trabalhado em “O Desconhecido”, filme anterior do diretor. Toda expectativa e climax pela busca do assassino, não se resumem a jogadas mirabolantes, das quais o gênero esta lotada. Muito menos à resoluções que mais parecem impor uma maneira mais simples e visceral de resolver a história (tiros, corre corre e o avião caindo).

Se as expectativas pelo filme não eram altas, “Sem Escalas” entrega um filme simples, que trabalha muito bem sua dinâmica entre os personagens. Agora se você já esperava algo bom, ou nutria alguma espera por algo acima média vai se surpreender com o resultado. “Sem Escalas” é entretenimento de alto nível e reforça o argumento de que tanto diretores e atores estão em constante evolução, basta você como púbico, reconhecer isso.

4 DONUTS

Ótimo

7 comentários em “Crítica: Sem Escalas

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