Crítica: Capitão América 2 – O Soldado Invernal

 

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Durante cerca de 7 anos, a Marvel Studios vêm produzindo um dos projetos mais ambiciosos da história do cinema. A cada novo passo, somos imersos numa mitologia cada vez mais completa e intensa. E é agora, com o novo capítulo de Capitão América que podemos refletir quanto o estúdio evoluiu e o quão longe está.  Tudo neste longa está em uma escala absurdamente maior ao comparado com os projetos anteriores. Em suma, a Marvel acabou de entregar sua obra prima até o momento.

Na trama, Steve Rogers continua na sua constante evolução como personagem desde que o vimos em Os Vingadores. É o principal agente da S.H.I.E.L.D. na liderança de missões de campo e tenta se encaixar a cada dia mais na diferente sociedade que encara. Neste contexto, o herói toma conta da realidade em que se encontra, e desaprova o fato de estar dentro de uma teia de segredos, aonde uma missão realizada nem sempre têm o real objetivo que o foi informado. Assim, ao se questionar quem é o real inimigo, o misterioso Soldado Invernal toma conta do cenário e todo o gigantesco império da agência começa a se desmanchar.

Com toda a certeza, O Soldado Invernal é o longa mais intenso da Marvel, isso em todos os aspectos. Os irmãos Anthony e Joe Russo estreiam na franquia da maneira mais excelente que poderiam. Ao implantarem uma trama sobre conspiração governamental, tudo o que gira em torno ao universo cinematográfico estabelecido até aqui, é repensado. E é assim que o projeto se molda. Aos poucos como um filme de super heróis, aos poucos como um filme de espionagem. E é incrível como tudo funciona em perfeita sintonia.

O que mais merece destaque aos irmãos, é a tensão gerada ao longo da exibição. Temos uma agência americana que têm a possibilidade de estar no controle do inimigo, um protagonista perseguido que não sabe em quem realmente deve confiar enquanto se adéqua à uma realidade ainda intragável. E mesmo depois de uma invasão alienígena vista no filme da equipe de heróis em 2012, aqui temos a impressão de que há muito mais em jogo, muito mais a ser perdido. E isso é incrível.

As sequências de ação são estonteantes. Todas as coreografias têm uma característica física que predomina todos os combates durante a projeção. É tudo tão impactante que a única reação a ser emitida é a contemplação.  Quando Soldado Invernal entra em cena, realmente tememos pelo Capitão, e em uma produção do gênero, isso é louvável. O lutador de UFC, Georges St-Pierre, encarnando Batroc nos dá um dos combates mais impressionantes do filme. É claro que a genial edição de som têm quase completo mérito pelo impacto que sentimos a cada ruído adicionado aos belíssimos momentos.

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Quando se trata de adaptações de quadrinhos, esta sequência também se destaca no curriculum da produtora. Aqui temos a real essência de O Soldado Invernal de Ed Brubaker. Tudo o que é realmente necessário para se compreender o personagem e os sentimentos do Capitão, são expressos no roteiro assinado pelo próprio autor da HQ e a dupla Christopher Markus e Stephen McFeely. E o que foi peneirado para dar lugar à caótica trama do longa, é além de compreensível, empolgante. Já que o cenário visto no filme têm uma dimensão ainda maior. Mas sim, você fã de quadrinhos irá se impressionar com quadros tomando vida e linhas de diálogo mantidas.

Ainda sobre a evolução do longa, é necessário pontuar como Chris Evans se sente mais à vontade “segurando o escudo”. Sua personificação de Rogers é pontual. Tudo está no seu exato lugar. A densidade, a tensão, a ingenuidade. O ator merece o reconhecimento neste trabalho brilhante. O mesmo pode ser dito sobre Scarlet Johanson como Viúva Negra. Que aqui o roteiro não só preenche os lugares necessários para o desenvolvimento da personagem, como ainda torna toda a sua presença na S.H.I.E.L.D. mais crível, com uso de gadgets para combate e a demonstração de sua inteligência em momentos certos. E não só o desenvolvimento individual é estreitamente bem planejado, como também o relacionamento de cada personagem. A interação entre o Capitão, Viúva Negra e Falcão é ótimo e completamente funcional.

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Todo o elenco está distribuído de uma forma exemplar, e entregam um trabalho memorável. Samuel L. Jackson continua excelente como Nick Fury, e aqui é beneficiado por um roteiro coeso e que distribuí uma função equilibrada ao personagem e ainda um desenvolvimento controlado. Já Anthony Mackie, também impressiona na apresentação de Sam Wilson, se sentindo nitidamente à vontade no personagem e ainda encarnando um Falcão que muitos de nós desejam ver há anos.

Este é um longa que capta toda a essência do Capitão América dos quadrinhos e vai além. Não é um filme apenas sobre o símbolo americano, e sim sobre o mundo em que ele vive. Temos uma proporção gigantesca de personagens dentro de uma trama coesa e muito bem amarrada. Tudo isso dentro de sequências de ação maestrais, uma trilha sonora claramente mais desenvolvida do que no primeiro capítulo e ainda um espetáculo de efeitos especiais e sonoros. A Marvel acaba de elevar o nível de suas produções, e nos acostumar dessa maneira pode ser um risco à produtora. Mas nunca estive mais animado para descobrir o que vêm por aí.

                                             Excelente

Obs: A Disney está cada vez melhorando a sua conversão 3D, mas infelizmente ela ainda não interfere na narrativa do longa. A produção apresenta uma tridimensionalidade intensa, mas desnecessária. Fica à sua escolha se o gasto vale a pena.

Obs²: A Disney teve a “brilhante” ideia de adaptar alguns trechos de suas adaptações para diferentes culturas. Capitão América 2 faz parte deste projeto. Portanto, não, na lista de Steve Rogers sobre o que ele perdeu nas últimas décadas, não tínhamos itens como Xuxa e Mamonas Assassinas.

6 comentários em “Crítica: Capitão América 2 – O Soldado Invernal

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