Crítica: O Homem Mais Procurado

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Se existe um legado que só atores podem deixar, são os personagens marcantes que eles interpretam ao longo de suas carreiras. No caso de Philip Seymour Hoffman, que faleceu no começo do ano, o legado foi além do esperado. Sempre interpretando personagens fortes, o ator se destacou ao entregar exemplos reais de pessoas que tranquilamente poderiam estar vivendo lado a lado conosco.

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Em “O Homem Mais Procurado”, adaptação do livro de Jonh Le Carré, temos um suspense de espionagem como pouco visto nos últimos tempos. Diferente de “O Espião Que Sabia Demais” e da franquia “007”, a história não tem armas, explosões e correria, como seria habitual nos filmes do gênero. Dentro de 2 horas, a película não quer mostrar o quão eficiente é o seu personagem principal (Günther Bachmann – interpretado por Hoffman), muito menos explora o lado “maléfico” do suposto vilão (Issa Karpov, Grigoriy Dobrygin). Tudo que ocorre no filme, não é didaticamente explicado. Anton Corbijn explora as reviravoltas, complicações e erros que qualquer operação pode apresentar, pois afinal, tudo é feito por humanos, suscetíveis à erros.

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Ainda que não seja complicada, a trama coloca ótimos atores em papeis pouco comuns (uma característica de Corbijn e algo recorrente na carreira de Hoffman). Rachel McAdams interpreta uma advogada politizada que pauta suas ações essencialmente na defesa do “terrorismo mundial”; Willem Dafoe, é um poderoso banqueiro, acostumado à faturar com a violência, e proporcionar “facilitações” para terroristas e por fim temos Robin Wright, que interpreta uma chefe de espionagem americana que esta sempre interessada em questões de política externa, mas nunca sobre o que acontece no próprio país.

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Todos os personagens estão ligados direta e indiretamente com a captura de um possível terrorista Checheno Issa Karpov, que tem planos de lavar dinheiro na Alemanha e depois comprar armas para um ataque nos EUA. É claro que Corbijn deixa tudo escancarado e bastante explícito no começo (como o homem fugindo pelo mar, como se tivesse feito algo errado), para depois mascarar as reais pretensões de cada um (Günther quer capturar o terrorista, mas para isso precisa de uma ajuda “ilegal”) e por fim deixar tudo em aberto como início (a cena final é uma forte “critica” ao conceito de soberba, praticada muitas vezes pelos americanos).

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Sem alívios cômicos, tirando o melhor de cada ator de seu elenco, e principalmente, criando um suspense de espionagem inteligente e moderno, “O Homem Mais Procurado” de Anton Corbijn é um raro exemplo de que operações secretas nem sempre precisam evolver armas, explosões, heróis e vilões. Tudo não passa de um teatro armado. Colocar e categorizar personagens de acordo com sua índole é algo pelo qual Hollywood sempre lutou. A falta desse aspecto pode incomodar aqueles que esperam algo previsível, adotando um tom amenizador, e por que não, lírico. Isso não acontece, e pior, mostra que o diretor não ficou em cima do muro. É uma pena que Corbjin e Hoffman não possam mais trabalhar juntos.

4 DONUTS

ÓTIMO

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