Uma viagem chamada “Sandman: Os caçadores de sonhos”

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Já parou pra pensar como seria um desenho do seu sonho mais surreal? Yoshitaka Amano parece fazer isso em cada página do encadernado lançando pela Panini a pouco tempo.

Sandman: Os caçadores de sonhos, é um relançamento da história já publicada pela editora Conrad em 2001. O que diferencia essa publicação das outras histórias de Neil Gaiman, criador de Sandman, é a forma como ela é contada: uma narrativa quase poética ilustrada magistralmente por um grande nome da cultura pop japonesa.

O já soturno personagem Morfeus ganha um ar ainda mais obscuro pelas mãos do desenhista de Final Fantasy. Seus desenhos inspirados pelos movimentos Art Nouveau e Ukiyo-e (valem uma pesquisa extra aí) revelam que uma mesma obra pode sim ganhar fôlego e continuar relevante dentro de uma indústria que continua a se reinventar ainda pelo mesmo conceito.

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Com relação a história, ela é simples: uma raposa, ao tentar pregar uma peça em um pacífico monge, acaba se apaixonando pelo rapaz e descobre que seu novo amor corre perigo nas mãos de um sombrio e ambicioso bruxo que pretende matá-lo através de um sonho.

Neil Gaiman, na época, já havia encerrado Sandman quando se deparou com um conto folclórico japonês. Percebeu o quão notáveis eram as semelhanças entre Sonho e um personagem do conto, um dragão, o Mestre do Yin-Yang. Por mais pouco mencionado que fosse o ser, Neil captou a mensagem e decidiu adaptar a história de forma a dar continuidade a sua obra.

Ao convidar o mestre Amano, Neil o pediu para desenhar como uma história em quadrinhos, porém o lendário ilustrador disse que por mais que goste de HQs, ele não as desenha. Daí então nasceu um projeto sem igual, tão belo quanto um sonho, que não teria o mesmo impacto se fosse de outro jeito.

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Finalmente, é incrível como a arte do desenhista (que também trabalhou no estúdio Tatsunoko) levou a fábula para um outro nível, algo muito mais denso e onírico. Tanto que acredito cegamente que Amano usou referências de seus próprios sonhos abstratos, pois vemos representações extremamente únicas.

É uma leitura simples, fluida e com uma narrativa muito bem acompanhada as ilustrações, aconselho os leitores a não tentarem imaginar cenários e personagens, deixem-se guiar pelas figuras e aproveitem bem a experiência, não se arrependerão

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