Crítica: Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

MockingjayAdaptar uma obra literária para o cinema nunca é fácil.
O próprio nome, “adaptação”, já diz tudo; é uma adequação da história para uma nova mídia, sendo assim, o roteiro nunca será igual ao livro e sempre haverão aqueles fãs que irão reclamar da “falta de fidelidade”.

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (The Hunger Games: Mockingjay  – Part 1, 2014) chega aos cinemas como uma adaptação do terceiro livro da série homônima e como diz o título, seguindo a tendência de divisão adotada pelas últimas adaptações das sagas literárias no cinema, é apenas a Parte 1.

Mockingjay

No último livro da série escrita por Suzanne Collins, acompanhamos uma Katniss mais fragilizada, tendo que lidar com sua dupla participação nos Jogos, com a responsabilidade de ser o Tordo (ou a Esperança) da “rebelião” dos distritos de Panem contra o poder vigente e indo ao combate real contra a Capital.

Nos cinemas, a Parte 1 da Esperança não mostra o embate, preferindo reservar ao confronto derradeiro um filme só seu. Essa decisão do estúdio, infelizmente, prejudica o andamento do filme, nos deixando com um longa por vezes arrastado, contudo sem ser cansativo.

Nessa primeira parte acompanhamos uma espécie de Guerra Fria entre os Rebeldes e a Capital, que se enfrentam através de propagandas midiáticas feitas para ludibriar e intimidar os cidadãos alheios à verdade.
Todo o jogo midiático é o aspecto mais marcante da saga no cinema e esse filme ilustra tal aspecto com muito mais profundidade que os demais longas da franquia, sendo o mais sóbrio até então.

Mockingjay

A Esperança retrata a manipulação do povo pelos dois lados da moeda, enfatizando que a guerra é muito mais do que apenas um confronto corpo a corpo; é muito mais um jogo político jogado com maestria, onde o lado vencedor é o que conta com mais simpatizantes, conquistados através da propaganda mais bem feita e convincente.

E se esse aspecto é mais aprofundado nesse longa, o papel do Tordo também ganha mais destaque.
Acompanhamos o dilema de uma personagem que se vê dividida entre proteger seus entes queridos e poupar toda uma população fragilizada dos abusos da Capital, que se mostra ainda mais autoritária e ditatorial.
Nessa guerra interna, entre ser a líder da revolução ou apenas uma sobrevivente, percebemos que as motivações da personagem principal são as mesmas de qualquer ser humano. No fundo o instinto de sobrevivência é o que prevalece, variando apenas de intensidades.

Mockingjay

Se o longa acerta o tom nessa discussão de ideais e ações e reações, peca no ritmo escolhido para nos apresenta-las.
Não podemos culpar os roteiristas, Peter Craig e Danny Strong, nem muito menos o diretor Francis Lawrence. A quebra de ritmo do filme parece ser mais culpa da divisão em duas partes do que de outros aspectos.

O ritmo lento dessa primeira parte e também o marketing do filme evidenciam que, infelizmente a qualidade da obra não foi a principal variável levada em conta, pois essa primeira parte é uma obra incompleta e só poderemos decidir se ainda há Esperança em 2015, quando a segunda parte dessa distopia tão palpável inundar mais uma vez nossas salas de cinema.

3 DONUTS

                                                           Bom

Um comentário em “Crítica: Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

Comentar...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s