Crítica: O Abutre

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Desde que foi divulgado o primeiro trailer de “O Abutre”, imaginávamos que seria uma obra exclusivamente cult com temática relativamente batida, mas abordagem inovadora. Pois bem, a surpresa é que o filme não entregou nada disso, e ainda assim, consideramos uma das melhores obras de 2014.

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Com uma violência berrante para alguns, mas com uma semelhança quase que caricatural com o que vemos nos telejornais produzidos aqui, o filme de Dan Gilroy é uma obra de jornalismo, mas não necessariamente sobre a profissão. O público não verá dilemas morais, flashbacks emotivos ou uma abordagem sentimental sobre a vida de Louis Bloom (um Jake Gyllenhaal inspiradíssimo), nosso querido e intrépido “jornalista”. Ele é o típico estereótipos bipolar do “American Dream” que deu errado.

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De assaltante a “açougueiro sensacionalista”, seu padrões morais não importam para o diretor Dan Gilroy (cujo o roteiro é creditado) e muito menos ao público. Ele precisa de dinheiro, precisa melhorar de vida, e para isso chega aos limites impostos pela sociedade (ainda que ele ultrapasse os mesmos em certas situações).

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Acontece que “calhou” de sua profissão, possibilitar certos abusos. Brincando de mostrar a realidade das ruas, Louis é visceral como um abutre em busca de carne fresca. Não basta satisfazer o público com sangue, é necessário mostrar membros, enfatizar histórias “nunca” antes vista e principalmente, tornar isso dinheiro. O que poderia ser um processo complicado seguindo os procedimentos usuais, torna-se um deleite para Louis, que usa e abusa do própria sociedade para conseguir mais sangue e dinheiro. Não é a toa que essa “intensidade” de seu trabalho, case com perfeitamente com as necessidades físicas que Louis apresenta (tanto no filme, quanto para o ator que o interpreta).

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“O Abutre” não vai trazer uma reflexão sobre o que é moral ou imoral nas TVs. O objetivo não é ser uma versão moderna de “O Informante” ou elaborar paralelos jornalísticos como em “Mil Vezes Boa Noite” (ou quem sabe “Boa Noite, Boa Sorte”). No final o que interessa para Louis é se a matéria foi exibida com os devidos créditos, com o cheque foi depositado e a audiência aumentando. Caso todos esses requisitos sejam preenchidos, tanto faz tanto fez se o público achou a matéria moralmente deplorável, afinal, estamos falando de jornalismo sensacionalista, ou seja, dinheiro.

5 DONUTS

Excelente

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