Crítica: Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)

birdman_banner

Alejandro González Iñárritu sempre foi conhecido pelas suas narrativas complexas e intrincadas. Ainda assim, dentro de tantos acontecimentos, personagens e fatos marcantes, a simbologia sempre imperou no trabalho do aclamado diretor e roteirista.

Seja a nudez reveladora de Rinko Kikuchi em “Babel” (2006), ou no semblante sempre contemplativo de Uxbal (Javier Barden) em “Biutiful” (2010), seus personagens carregam algo além do que o físico transparece.

birdman-poster1

Naturalmente a eventualidade aparece da mesma forma em “Birdman (ou  A Inesperada Virtude da Ignorância)” (2014), seu mais recente filme. Não é a toa que a produção concorre a nove prêmios Oscar, e continua sendo motivo de discussão sobre ser considerada o melhor trabalho do diretor, ou uma evolução em termos de narrativa.

Michael Keaton interpreta Riggan, um ator que por anos, deu vida a um super herói dos cinemas, mas que ao atingir o saturamento,  opta por deixar de vez o personagem e se dedicar a outros projetos menores (simbolicamente, a produção tem grande elenco, mas estética típica de filmes indie).
Pois bem, ainda que pudesse, “Birdman“, não mantém o foco no eventual “ostracismo” de seu protagonista. O roteiro do filme não cai na mesmice de trazer “a reviravolta” que o fará ser consagrado (situação que a academia adora).

_MG_0817.CR2

 

É assim que o filme começa, se desenvolve e não se exauri dentro de si mesmo. Cada personagem criado por Iñarritu, é uma metáfora sobre as fases da carreira de um artista.
Sam, por exemplo, filha de Riggan (Emma Stone, mostrando a mesma desenvoltura para o drama e comédia) foi a tentativa de fomentar a figura – inoperante – familiar enquanto Mike (Edward Norton) e Lesley (Naomi Watts) são metáforas sobre “alternativas” que a vida proporcionou a Riggan, mas que, seja lá por qual motivo, foram descartadas. É fácil identificar outros parâmetros e máximas inseridas pelo diretor mexicano.

stonewatts12n-6-web

Por fim, “Birdman” não se limita a metalinguagem típica de Alain Resnais em “Amar, Beber e Cantar” (2014), ou utiliza (naturalmente) como referência “O Jogador” (1992) de Robert Altman, filmes que ganharam (e respectivamente concorreram ao Oscar).
Iñarritu não queria que a criatividade da história e de seus folclóricos personagens, se limitasse a meras citações no universo cinematográfico (ou que figurasse “só mais um ganhador”).

O triunfo ao final, é de certa forma, talhado no paradoxo socrático (e é exaustivamente referenciado ao longo do filme): “Só sei que nada sei“.

Será que a academia vai admitir que tal paráfrase, é algo inerente as suas escolhas?

4 DONUTS

                                                     Ótimo

2 comentários em “Crítica: Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)

Comentar...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s