Crítica: A Teoria de Tudo

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Em todos os anos, nos deparamos com um grandioso número de produções de diversas intenções e abordagens saltando diretamente ao nosso redor. Diversas destas se destacam, e por inúmeras razões. Mas, é realmente impressionante como aos olhos da crítica, das premiações e principalmente, na identificação do público, as obras biográficas quebram barreiras e se estabilizam. Afinal, qual a melhor forma de abordar a natureza humana, se não trazendo à frente grandes momentos de personagens consolidados em nossa história? E é dessa maneira, que James March (Agente C e The King), junto com o desconhecido Anthony McCarten, adapta a obra literária de Jane Hawking (Que também atua como roteirista na produção) ao cinema.

Na trama, acompanhamos o início o romance de Stephen e Jane e a evolução da vida do casal. Atravessando a descoberta da doença de Hawking e acompanhando suas conquistas profissionais e suas batalhas pessoais, ao mesmo tempo que entendemos a natureza e a importância do casamento de ambos em todos os momentos de suas vidas.

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Desde seu início, já somos apresentados a maneira como o longa irá trabalhar a relação de seus protagonistas. Assim, em seus primeiros minutos já encaramos a primeira troca de olhares de Stephen e Jane e já seguimos adiante, já que, a história promete abordar não como ou porque eles se amam, mas as consequências desse amor para a vida de ambos. E toda essa motivação só é competente graças ao coeso roteiro de McCarten e Jane que consegue abranger com maestria a humanidade de seus personagens com decisões e passagens extremamente bem escolhidas e pontuadas.

Mas mesmos com todos os acertos que o roteiro tem, a produção só se completa graças a performance de seus atores. Eddie Redmayne está brilhante e corre na dianteira na disputa pelo Oscar de Melhor Ator. Todo o trabalho do britânico na concepção e estudo do personagem é formidável, e é assim que somos apresentados à um Stephen que tem início na narrativa pedalando uma bicicleta e já demonstrando os sinais e sua doença degenerativa, e percorremos sua história em momentos que se tornam cada vez mais emocionantes e angustiantes, até nos encontrarmos compreendendo os sentimentos do físico apenas nos olhos do ator, junto com seus ombos, mãos e pernas contorcidos e paralisados.

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Felicity Jones também constrói Jane Hawking com cuidado, ao ter início com seu amor, devoção e instinto de batalha por Stephen, ao ir se desgastando dentro da sua realidade de uma mãe de 3 filhos, e ainda tendo de se preocupar com os cuidados de seu marido. E são os momentos em que a personagem mais se sente presa, que mais percebemos como com pequenos olhares e sorrisos ao lado de Jonathan (vivido por Charlie Cox) a atriz consegue se expressar. David Thewlis como o professor da tese de Hawking e Harry Lloyd como o melhor amigo do físico também estão muito bem e dão força ao elenco de apoio.

A trilha de Jóhann Jóhannsson por mais que minimalista, tem uma grande força ao compreender o longa e completa-lo. Com acordes que soam com uma constante soma de instrumentos, as faixas ganham uma absurda competência nas sequências que se apoiam nela, como quando vemos Stephen brincando com seus filhos em sua cadeira de rodas elétrica.

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A direção de March por mais que conte com problemas que são maquiados com as grandes atuações, ainda demonstra um ritmo mal programado e uma sensação de corrida no primeiro ato. Mas, mesmo assim, o diretor traz bons momentos, como quando acompanhamos momentos da vida de Stephen com um aspecto de filmagens caseiras. Ou quando somos apresentados a um insight do físico com a aplicação da teoria em um momento ordinário, sendo uma xícara de café ou um olhar à fogueira. De qualquer forma, existem produções em que o carisma de seus personagens e a mensagem a ser levada conseguem ultrapassar alguns valores técnicos, e em A Teoria de Tudo, temos momentos desta natureza.

Por mais que o longa consiga ser extremamente objetivo e triunfa em sua narrativa em estabilizar os ideais de Hawking, é realmente peculiar e estranho não termos momentos de ira e raiva nos personagens, que sempre aparentam superar qualquer tipo de desafio. Isso acaba aplicando uma fragilidade na realidade de todo o ambiente, mesmo que não comprometa a estrutura do filme por completo. De qualquer forma, a maneira com que acompanhamos uma das maiores histórias da superação humana é realmente tocante e comovente. É sempre bom ser lembrado do instinto de superação presente em todos nós. Afinal, enquanto há vida, há esperança.

Bom                                                     Bom

 

5 comentários em “Crítica: A Teoria de Tudo

  1. Concordo com a annaccastro, Eddie sensacional. Também torci por ele. Quanto ao filme, gostei muito. É uma historia emocionante sobre um homem inteligente que lutou e luta com garra por sua dignidade.

  2. A atuação do Eddie Redmayne é impecável. Já apreciava seu trabalho depois que ele ficou conhecido do grande público em Os Miseráveis e me impressionei com o talento essencialmente dramático que ele pode empregar nesse filme. Provavelmente, essa característica do ator pode ser melhor trabalhada em um longa que o tem como foco. Até para reconhecê-lo foi complicado de tão marcante que é sua transformação para retratar as limitações do homem. Torcida pra ele no Oscar.

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