Crítica: O Duplo

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Questionar paradigmas e dogmas é algo inerente a sociedade.
Ainda assim, parece que materializar essa linha de raciocínio passa por uma incrível transformação, ou necessidade de reafirmação, pois a “coragem” não parece viver dentro do homem atual.
Situações como essa, não são alardeadas – nem deveriam, mas acontecem diariamente em especial por causa da aceitação do seu grupo e da “sua sociedade”.

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As obras de Fiódor Dostoiévski fundamentaram o pensamento moderno atual e, consequentemente, moldaram o arquétipo de “indivíduo” e sua função social dentro da sociedade (por exemplo questionar impostos, valores e atitudes do governo).
Filmes, em tese, serviriam como uma válvula de escape para discussões mais introspectivas que giram em torno do homem (por que questionar o “imutável”?).

Pois bem, O Duplo (The Double, 2013) pode não ser a melhor adaptação da importante obra do romancista russo, mas ainda assim, explora muito bem, a “abertura” dessas discussões.

Imagine se você acordasse um dia e descobrisse que tem um duplo seu, totalmente oposto à você, agindo naturalmente, usufruindo de tudo, como se tivesse batalhado por aquilo.
O filme de Richard Ayoade, torna essa situação possível, e ainda apresenta uma série de metáforas.

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Diferentemente dos discursos de Notas para o subsolo (1995) que tinham um protagonista questionando suas decisões, mas não alterando seu comportamento, o protagonista de O Duplo, Simon (interpretado por Jesse Eissenberg), não entende qual o seu papel, não tem expectativas e tenta (equivocadamente) alterar seu comportamento.
Para que tentar alterar as atitudes e valores, sendo que eles já estão consumados? Melhor se conformar, e seguir em frente.

Já o antagonista, James, não se apega às amarras das “definições”, dos títulos e/ou documentos.
Ele vive de acordo com o seu desejo, suas ambições e ambiciona outro papel.

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As gritantes diferenças entre os personagens, são metáfora sútil, de como interpretar e adaptar as obras de Dostoiévski.
Não basta se ater a “literalidade”, pois dela perde-se o significado e a emoção da obra. É como se sujeitar ao estigma de “mera adaptação”.

Assim, a comparação entre as visões americanas e europeias sobre uma mesma obra, não se limitam ao que esta sendo reproduzido nas telonas (ou telinhas).
A acomodação de uma, faz com que o peso e importância da outra sejam diminuídos sem razão.
É como se tudo que foi construído por um, fosse destruído pelo outro, tal como se faz em O Duplo.

Dessa forma, o filme passa a ideia de que a dicotomia central não se limita aos personagens, mas é válida também para o cinema.
Já sacramentava Dostoiévski muito antes da criação do cinema: “Não há no mundo coisa mais difícil do que a sinceridade e mais fácil do que a lisonja.

Bom

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