Crítica: Velozes e Furiosos 7

Furious-7-Movie-Poster-banner-cropped

Franquias cinematográficas são extremamente importantes na história do cinema, tomando grande espaço desde os anos 60 até se tornarem uma grande tendência comercial a partir dos anos 80. Com isso, todo grande estúdio necessita de grandes franquias, aquelas que já com seu universo, personagens e público já consolidados e familiarizados podem se encontrar diversas vezes ao longo do anos e expandir suas mitologias. Porém, algumas destas séries, começam a se tornar inviáveis de serem exploradas, por diversos motivos, e é nessa hora que executivos precisam apostar em um alvo certeiro.

Vin Diesel viu o potencial de Velozes e Furiosos, e não teve duvidas na escolha de se tornar produtor da franquia ao trazer o 4º capítulo às telonas. A Universal passou por maus bocados e ainda sofre com sua ausência de franquias. Bourne chegou ao fim, e ainda estão tentando traze-la de volta a vida mesmo com a relutância do público. A Múmia tropeçou na sua tentativa de retorno e foi engavetada mais uma vez. Meu Malvado Favorito se tornou um hit tão gigantesco em bilheteria que até mesmo um filme solo dos coadjuvantes já está prestes a chegar mostrando o desespero da empresa. Jurassic Park voltará aos cinemas e assim poderemos ver como será o futuro do estúdio.

10314763_312637855587295_1686743090760012637_n

Mas de qualquer forma, esse é o campo de visão necessário para se encarar essa gigantesca produção de carros e assaltos (Tudo teve início com corridas de rua mas desde o 4º capítulo não é um tema recorrente). Velozes e Furiosos é aceito pelo público de uma maneira, que é impossível engravatados bilionários de Hollywood dizerem em voz alta “Chega. 7 filmes são DEMAIS. Temos que parar de priorizar o dinheiro e pensar na arte que é o cinema.”. Com certeza o diálogo real é “Exploda o que for necessário, aqui está o dinheiro. Mas é completamente inaceitável não explorarmos mais a franquia”. E é assim que chegamos a Velozes e Furiosos 7, com uma história que a cada dia mais se torna uma justificativa para cenas impossíveis. E, bom, ainda há um certo charme nisso…

Na trama, acompanhamos diretamente os eventos de Velozes e Furiosos 6. O vilão do filme anterior, Owen Shaw, se encontra em grave estado médico após os eventos ocorridos, e seu irmão mais velho, Deckard Shaw, deseja vingança daqueles que o deixaram naquela situação. Assim, o feroz e fugitivo agente especial britânico parte em sua missão e começa a caçar os integrantes da família de Toretto. Desta maneira, o time precisa se reunir mais uma vez, para impedir a morte de mais de seus amigos e por um fim nesta caçada.

velozes-e-furiosos-7-slider

James Wan, conhecido por Jogos Mortais estreia na franquia como o diretor, e o malaio (Isto não é uma ofensa, mas sim o adjetivo pátrio para nascidos na Malária) não poderia ser mais feliz. Todo o universo de Velozes e Furiosos se encaixa perfeitamente com a dinâmica que o diretor trabalha. Cortes velozes, ângulos que exploram o ambiente e movimentos desafiadores de câmera tornam, este, o filme da franquia mais atraente na maneira como suas sequências psicodélicas são levadas. Tudo é friamente calculado, e conseguem trazer a tensão necessária para o impossível se tornar ainda mais notável. Além de deixar claro que quer deixar sua assinatura no filme, com cenas que remetem a cenas marcantes como a personagem de Nathalie Emmanuel simulando Halle Berry em 007 – Um Novo Dia Para Morrer, e uma incrível paleta de cores que se transforma a cada ambiente que nós somos levados na trama. Assim transmitindo ainda mais informações para serem lidas. E é louvável um trabalho deste calibre ser entregue junto de um longa que basicamente não tem roteiro.

Escrito novamente por Chris Morgan e Gary Thompson, a trama traz a já conhecida temática familiar para o universo do longa, porém desta vez com uma inversão quase cômica. A família de Toretto atingiu uma outra família e o preço por isso deve ser pago. E por incrível que pareça, a abordagem funciona. Grande parte disto se dá pela franquia ter se tornado uma série de ação superando em diversas maneiras títulos como Duro de Matar, Carga Explosiva, Mercenários e etc. Então, os diálogos fracos, acabam sendo extremamente esquecidos em meio as gigantescas sequências com apenas frases de efeito. Não que isto seja algo bom, mas, acaba sendo orgânico dentro da produção.

furious-7

Grande parte disso, se dá pelos personagens já consolidados. Afinal, estamos falando de 7 longas. Logo, além de não serem necessárias mais apresentações, é possível notar a amizade adquirida pelo elenco em todos esses anos. Assim, grande parte das interações e piadas inseridas soam naturais. As adições também foram ótimas. Nathalie Emmanuel encontra seu espaço no time como a hacker que o grupo necessita resgatar. Kurt Russell acima dos 60 anos surge aqui com uma presença absurda como o Sr. Ninguém, e Vin Diesel já revelou que seu personagem será recorrente no futuro da série. E, claro, Jason Statham surge como o vilão mais icônico e marcante até então. Já em sua primeira cena, é apresentado na tonalidade mais absurda possível e já demonstra como será abordado. Assim, se une ao time dos personagens indestrutíveis e cai em embates de encher os olhos com The Rock e Diesel.

Falando no elenco, é impossível não pontuar a triste morte de Paul Walker. Como grande parte do longa já havia sido filmada antes do trágico acidente, as mudanças no roteiro não foram tão complicadas, mas algumas delas podem ser notadas. A principal se dá pela grande ausência sentida de Brian durante a projeção em diálogos com outros personagens, com exceção de sua ligação para Mia perto do fim da projeção, e sua breve conversa com Dom ainda no avião. Assim, é possível notar a quase protagonização do longa por Vin Diesel, já que tudo gira em torno de seu personagem. Mas de qualquer maneira, a reposição de Walker digitalmente por CGI é fantástica. São poucos os momentos que é possível notar alguma presença digital no semblante do ator, e isso apenas acontece por sabermos de sua morte.

a5b2c863c64e7b703e6acd071c92322e_1424836330

E ainda, sem dúvida o maior triunfo do longa se dá pela linda e sincera homenagem prestada ao ator. Encontrando a saída mais coesa e respeitosa para o afastamento de Brian O’Conner da franquia, é difícil não se emocionar com os flashes mostrando momentos do ator no decorrer dos anos em Velozes e Furiosos, e ainda um texto que soa com tamanha sinceridade na voz de Vin Diesel, que tendo a chance de se despedir de um de seus grandes amigos resulta no maior momento dentro da série e que será lembrado com carinho por todos.

Velozes e Furiosos segue o seu caminho, e apenas demonstra como o público ainda não se cansou da série, que deixa pontos abertos que irão ser explorados ainda nos próximos anos. É um franquia que mesmo com escorregadas em seu planejamento, pôde ressurgir e se transformar de uma temática de corridas de rua e tunning para uma de ação e assalto. A transformação foi benigna, e este 7º longa se torna o ponto mais extremo dentro do universo. A família de Toretto ainda surgirá por alguns anos nos cinemas, e enquanto a diversão continuar valendo o ingresso como este longa, todos os merecidos bilhões de dólares continuarão a aparecer nos cofres da Universal.

Bom                                    Bom

Obs: O 3D do filme é inexistente, apenas um covarde caça-niqueis. Passe longe do formato.

Comentar...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s